domingo, 5 de fevereiro de 2017

“O Parque Macabro”

Terror psicológico e existencial marcam “O Parque Macabro”

Texto de: Tarcísio Paulo Dos Santos Araújo

Lançado em 1962, “O Parque Macabro” (Carnival of Souls) foi dirigido por Herk Harvey e teve um orçamento de 33 mil dólares. Sem chamar muito a atenção do público na época de seu lançamento, o primeiro e único longa de Harvey (que depois se dedicou mais a curtas-metragens de documentário e curtas de ficção) conseguiu o status de clássico cult depois de diversas exibições na TV e em festivais do gênero nos EUA. No Brasil o filme foi lançado em DVD pela Versátil Home Video em 2015, na coletânea “Obras-primas do Terror Vol. 3” com o nome “Carnaval de Almas”.

O filme começa com Mary Henry e mais duas amigas em um carro, quando são abordadas por um homem em outro veículo que desafia uma das amigas de Mary a fazer um racha. A mulher aceita o desafio e os carros saem em disparada pela estrada. A ação resulta no carro onde estava Mary e suas amigas caindo de uma ponte direto em um rio. Mary é aparentemente a única sobrevivente do acidente, porém, aos poucos a mulher parece ficar distante e desconexa com sua realidade.


Descobrimos depois que a personagem toca órgão profissionalmente nas igrejas e que acaba de ser transferida para outra cidade para tocar na igreja do lugar. Na estrada, a mulher passa a ver um estranho homem que começará a aparecer diversas vezes para a jovem. Além disso, Mary se mostra cada vez mais atraída em entrar em um parque abandonado que existe ali perto.

Com poucos recursos, mas muita criatividade, Herk Harvey consegue criar um filme com uma atmosfera envolvente e sinistra. Nada sabemos sobre o passado de Mary, deixando muitos acontecimentos da narrativa aberto a interpretações que podem ou não revelar algo sobre o passado da mulher. Será que Mary carrega alguma culpa e precisa se redimir? Ou o que acontece com ela revela apenas seu presente, sem ligação alguma com seu passado?

Independente de respostas, temos uma angústia existência da personagem, que passa a ver sua imagem nos vidros das janelas e carros, seja de forma apagada ou completamente disforme. A música facilita muito para a imersão da angustia e do horror vivido pela personagem que tem sua vida completamente mudada depois do acidente. Ela tenta se envolver emocionalmente com um homem que conhece na pensão, mas não consegue. No trabalho ela não consegue mais tocar o órgão como antes e nas ruas, as pessoas não a ouvem nem a veem. 


A fotografia em preto e branco só ajuda na beleza plástica do filme, compondo assim um universo distópico (pelo menos para Mary), além de alguns elementos que beiram ao surreal. A simples maquiagem na cor branca usada pelos atores que fazem papel de fantasmas também ganha um realce com a fotografia do longa, deixando-a mais intimidadora.   



Com um final não muito surpreendente, embora estejamos falando de um filme de 1962, cujo final já foi visto em outros filmes após este ano, “Parque Macabro” é um filme que vale a pena ser visto pelos fãs do gênero.     

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